O anjo mais velho
(Fernando Anitelli)
"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
enchendo a minha alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar
tua palavra, tua história
tua verdade fazendo escola
e tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
metade de mim
agora é assim
de um lado a poesia o verbo a saudade
do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
e o fim é belo incerto... depende de como você vê
o novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Poeta é aquele que, melhor que qualquer outra pessoa, consegue transformar os sentimentos em palavras, em sons. É aquele que consegue transformar a dor da perda, do amigo que vai com data para voltar, do outro amigo que vai sem data marcada para voltar, de um parente querido que se foi, de um amor perdido, em uma palavra bonita, em uma melodia tão perfeita que nos passa a sua dor e faz com que lágrimas corram por nossa face.
Essa dor não necessariamente é ruim. Ruim é ter que encará-la de frente, enfrentá-la e, finalmente, ver que a mudança, brusca às vezes, que a trouxe foi muitas vezes para melhor. Num momento assim eu vejo o quão egoísta o ser humano consegue ser. Explico: evitamos, a todo custo, nos depedir daqueles a quem chamamos de amigos, por mais que eles estajam indo em busca de uma vida melhor, daqueles a quem amamos profundamente, apenas pelo desejo de mantê-los sempre ao nosso lado. Tudo isso causado pelo mais puro medo de sentir a dor da perda, a dor da saudade.
Como o próprio poeta disse na música acima, lindamente por sinal, "o fim é belo e certo", depende, apenas e tão somente, de como a gente encara esse momento. Esse momento (o fim) é belo quando guardamos as lembraças de outros momentos doces e ternos que convivemos com a pessoa que está indo, ou que já foi faz tempo, compulsoriamente ou porque simplesmente desistiu de fazer parte da nossa vida. Aqueles momentos que nos fazem lembrar de nossa infância com ternura, que trazem à tona os sentimentos mais puros e as e verdadeiros que possamos conceber.
Escrevo esse texto num momento que mais se parece um grande misto de alegria e tristeza. Há tempos perdi um grande amor, o mais que já senti até hoje, talves o maior de toda a minha vida. E amanhã, dia 11 de janeiro de 2.005, um grande amigo meu parte para uma nova etapa de sua vida, em uma terra pra lá de longe, aparentemente sem hora, ou sequer uma data, marcada para voltar. Falo em alegria nesses momentos de quebra, que marcar o fim de uma etapa, to porque desejo, tanto a ele, como a ela, muito sucesso e muitas alegrias nessa nova fase que se inicia, que eles consigam realizar todos os obejtivos que colocaram para essa nova fase de susa vida, que atinjam a tão desejada felicidade, num grau nunca antes alcançado por outra pessoa.
Por outro lado, a tristeza é a de ver uma parcela significativa de minha vida está tomando, ou já tomou outro rumo, que não há mais nada que eu possa fazer para reverter esse quadro. É um momento muito estranho, quase bizarro por assim dizer, já que não tenho controle nenhum da situação e, mesmo que tivesse, dificilmente eu poderia fazer alguma para mudar essa cena. Só me resta rezar e torcer para que eles sejam muito felizes mesmo, do fundo do coração, tendo a mais absoluta das certezas de que eu sempre estarei aqui, em qualquer momento que um deles precise de mim.
Um grande beijo aos dois, e que D´us ilumine o caminho de você, aonde quer que vocês estejam, sempre.
Lú
Ano novo e um arremedo de template novo. Como eu não estou com o menor saco de fazer nada melhor que isso, vai ficar assim mesmo.
Acho que deu pra perceber que eu detesto essa época do ano, né?
Soneto de Fidelidade
(Vinicius de Moraes)
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Da maneira como foi dita pelo poeta, o amor teria tudo para ser o mais sublime dos sentimentos, aquele sentimento bonito pela própria existência, único. Muito bonito isso, pena que só na teoria... Quando caimos no mundo real, duro, frio, doído, percebemos ser quase impossível se atingir esse ideal de sentimento, uma vez que, muitas vezes, para não dizer na maioria absoluta das vezes, apenas uma das pessoas envolvidas na relação se deixa envolver, se deixa gostar (com o corpo e com a alma) da outra pessoa. A outra, por sua vez, se porta quase que como a pessoa que participa de um jogo: não importa o resultado, sendo bom pra ela, dane-se o que o outro sente, como sente e, principalmente, o que ele (ou ela, claro) vai sentir depois, como vai se sentir depois.
Uma certa vez, há muito tempo atrás (muito mesmo) eu "ganhei" esse poema como sendo uma jura de eterno amor. E o pior de tudo, eu acreditei naquilo que me foi falado, num momento de muito carinho e rara beleza. E como eu disse ali em cima, me envolvi de uma maneira que eu nunca havia feito antes, "caí de cabeça" como se diz por aí. Passado um tempo, ví que eu realmente gostava dela a amava e que eu deseja, mais que qualquer outra coisa, tê-la do meu lado para sempre, que queria constituir uma família, ter filhos, aquela coisa toda.
Esse foi meu maior erro, talves o maior de todos que já cometi. No início, não posso mentir, sentia medo de me envolver, de me machucar, mas, depois, juro que achei que valia a pena. Nunca gostei de uma pessoa como eu gostei (e acho que ainda gosto) daquela "criatura". O amor que eu sentia era quase tão perfeito como aquele das palavras do poeta, era lindo, perfeito, pelo menos para mim. Claro, não serei hipócrita a ponto de dizer que nunca fiz nada de errado, muito pelo contrário, errei e errei feio, várias vezes, mas nunca com a intenção de machucá-la, de fazer mal propositadamente.
Hoje vejo, infelizmente, que meu grande erro, foi me deixar gostar da maneira que eu gostei. A impressão que eu tenho foi a de ter "caído de cabeça".... com a cabeça no chão. A decepção que sinto hoje em dia me consome de uma maneira que cheguei até a pensar em sumir de tudo, e de todos, só pra ver se conseguia esquecê-la. Vejo, com olhos tristes como os de uma criança, que passado tanto tempo eu não sei ao certo quem ela é e, pior, chego a cogitar a hipótese de nunca ter sabido quem ela é. Não guardo raiva, isso é um fato, apenas uma decepção tamanha, que se parece mais com um buraco em minha vida.
Atualmente ela não faz parte da minha vida, não por que eu quis, aliás, eu jamais quis isso, por mais que falasse. Ela é apenas mais uma lembrança distante que, com o passar do tempo, certamente irá se perder na memória junto com tantas outras. Rezo para que ela aprenda a dar valor às pessoas que a cercam, que a amam, que ela aprenda a valorizar suas amizades como elas a valorizam, que ela aprenda que a sua palavra é uma coisa muito valiosa, tal vez uma das mais valiosas que temos em nossas vidas. A perda que eu sofri não foi apenas de uma companhia, de uma amante, mas de uma pessoa que eu considerava como uma grande amiga, como uma pessoa pra lá de especial. É com muita tristeza que eu escrevo essas linhas, com a certeza de que nossas vidas jamais voltarão a ser encontrar (como eu sempre achei que iria ocorrer, um dia). Mas, infelizmente, não há mais nada que eu possa fazer, estou cansado de dar cabeças, de tentar e "quebrar a cara". O único consolo que me resta é a certeza absoluta que eu tentei, com todas as minhas forças, mantê-la perto de mim.
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Revised: Janeiro/2005
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